Este artigo foi publicado em inglês no blog de Indexology® em 11 de junho de 2026.
Por mais de um século, os provedores de índices desempenharam uma função específica nos mercados de capitais: definir o padrão, calcular o índice de referência e os dados, licenciar a propriedade intelectual. A infraestrutura foi construída para um mundo de aberturas e fechamentos de mercado, entrega de arquivos em lote e acesso intermediado. Essa infraestrutura continua a funcionar extraordinariamente bem.
Mas, junto com isso, está sendo construído um sistema paralelo, que opera com premissas fundamentalmente diferentes.
Os mercados na blockchain funcionam 24 horas por dia, 7 dias por semana. A liquidação é programável. O capital se move entre protocolos sem intermediários. Produtos que não têm equivalente nos mercados tradicionais (contratos futuros perpétuos sem expiração, margem cruzada entre cadeias, mercados de previsão que alcançam bilhões em volume mensal) estão sendo criados e adotados em um ritmo que a estrutura do mercado tradicional nunca foi projetada para acompanhar. Versões tokenizadas de instrumentos tradicionais (títulos do Tesouro, crédito, ações) já estão disponíveis na blockchain, totalizando aproximadamente US$ 30 bilhões e crescendo rapidamente. Estas não são novas classes de ativos. São ativos existentes entregues por meio de uma infraestrutura nova, programável e acessível globalmente.
A S&P Dow Jones Indices criou valor ao estabelecer os índices de referência nos quais os mercados confiam, por meio de metodologias transparentes, governança disciplinada e integridade dos benchmarks que as entidades utilizam para alocar capital com confiança. Esse mesmo valor agora é cada vez mais essencial nas finanças descentralizadas (ou DeFi
pela abreviação em inglês), onde o crescimento do mercado depende de dados confiáveis, padrões claros e infraestrutura transparente.
Quando os ETFs de criptomoedas à vista foram lançados nos EUA, os índices de referência por trás deles vieram de provedores nativos de criptomoedas, não de empresas tradicionais de índices. Esses provedores construíram capacidade de cálculo em tempo real, garantiram posição regulatória segura e consolidaram relacionamentos com emissores de ETFs enquanto a maioria de nós ainda estava avaliando o mercado. Esse é um fato competitivo que vale a pena reconhecer, não justificar.
No entanto, a próxima onda de produtos financeiros on-chain precisará de padrões de índices para classes de ativos que ainda não os possuem: índices de referência com protocolos de DeFi, índices de ações tokenizados, produtos estruturados na blockchain. E eles precisarão que esses padrões sejam fornecidos por provedores com a governança, a metodologia e a credibilidade institucional sobre as quais essa indústria foi construída. É nesse ponto que os provedores tradicionais de índices podem contribuir de forma significativa para o avanço da indústria, se agirmos com determinação.




