Este artigo foi publicado em inglês no blog de Indexology® em 1 de setembro de 2026.
Introdução: o desafio
Os investidores institucionais brasileiros estão cada vez mais indo além dos mercados domésticos em busca de renda. Com rendimentos locais sujeitos a ciclos de política monetária e um universo de crédito doméstico concentrado, a renda fixa global pode oferecer diversificação. Instrumentos com diferentes fatores de risco, como empréstimos sênior garantidos e denominados em dólares americanos (USD), poderiam complementar uma visão de renda fixa baseada em reais brasileiros (BRL).
No entanto, investir no exterior introduz um desafio estrutural: risco cambial. Para os participantes do mercado brasileiro, os movimentos entre o dólar e o real podem ter tanta influência no desempenho quanto o próprio ativo subjacente. A questão é como refletir as características de rendimento dos empréstimos alavancados em USD enquanto se gerencia o risco dessa moeda.
Por que empréstimos alavancados dos EUA?
Os empréstimos alavancados dos EUA oferecem cupons de taxa flutuante que são reajustados com as taxas de curto prazo dos EUA, proporcionando renda e uma margem contra o risco de duração de uma forma que os títulos de taxa fixa não oferecem.
Os empréstimos alavancados são instrumentos sênior garantidos, posicionados no topo da estrutura de capital do tomador e respaldados por garantias. Isso confere aos credores prioridade em caso de reestruturação ou inadimplência, uma forma estruturalmente defensiva de acessar os spreads de crédito.
O mercado de empréstimos alavancados dos EUA é grande, líquido e bem estabelecido, e não é replicado no universo de crédito doméstico do Brasil. Comparado com o mercado brasileiro de renda fixa, esta classe de ativos oferece características de diversificação por meio de diferentes tomadores, dinâmicas de taxa distintas e uma fonte de rendimento denominada em USD. O S&P USD Select Leveraged Loan BRL Hedge Carry Index mede o desempenho do mercado de empréstimos alavancados dos EUA por meio de uma estrutura protegida por moeda, combinando a ponderação dos empréstimos com uma proteção embutida em BRL e carry em dinheiro em BRL.
Por que a moeda é importante para os investidores brasileiros
Para uma estratégia brasileira focada em empréstimos alavancados denominados em USD, três forças impulsionam o desempenho: desempenho de crédito, receita de cupom e a taxa de câmbio USD-BRL. Mesmo quando os empréstimos subjacentes apresentam bom desempenho, as variações na moeda podem alterar o resultado quando o desempenho é convertido de volta para BRL, tornando a proteção sistemática uma forma mais direcionada de refletir o desempenho da classe de ativos.
Compreendendo a construção do índice
O índice S&P USD Select Leveraged Loan BRL Hedge Carry é construído a partir de três componentes. Primeiro, um peso de 70% para o S&P USD Select Leveraged Loan Index (BRL) como o índice de referência subjacente para o mercado de empréstimos alavancados dos EUA. Em segundo lugar, um peso de 30% na Taxa Interbancária CETIP (DIAR) fornece uma medida do carry em BRL e serve como suporte de garantias para a posição em contratos futuros. Terceiro, uma posição vendida de -70% no S&P/B3 BRL-USD Mini Futures Index (BRL) ER forma a proteção cambial sistemática.
A proteção é destinada a compensar o risco cambial USD-BRL integrado na ponderação do empréstimo. Em vez de deixar o desempenho sujeito às variações do dólar americano, a posição curta em contratos futuros busca reduzir esse risco não intencional, sendo que o desempenho em termos de real brasileiro reflete o desempenho de crédito e o rendimento dos empréstimos subjacentes.


