Este artigo foi publicado originalmente no blog de Indexology® em 14 de julho de 2022.
Após um primeiro trimestre brilhante em que o S&P Latin America BMI subiu 25%, o mercado acionário regional caiu de volta à Terra e as perdas do segundo trimestre mais do que contrabalançaram os ganhos do primeiro trimestre. Entretanto, a região permaneceu um ponto relativamente luminoso em comparação com as ações globais de forma mais ampla, já que o S&P Latin America BMI caiu apenas 3,5% no ano em relação às perdas de cerca de 20% para o S&P 500 e S&P Global BMI.
As preocupações globais com a inflação, o aumento das taxas de juros nos EUA, a guerra entre a Rússia e a Ucrânia e a incerteza política com os novos governos no Chile, Peru e, mais recentemente, na Colômbia, finalmente alcançaram a região. Além disso, o Brasil, o maior mercado da América Latina, realizará eleições presidenciais este ano, o que traz mais incertezas.
Do ponto de vista dos países, o Chile teve os melhores retornos no segundo trimestre, período em que o emblemático S&P IPSA ganhou quase 0,30% em moeda local (CLP). O índice mais amplo do Chile, o S&P/CLX IGPA, teve melhor desempenho com um retorno de 3,1% no mesmo período. Todos os outros mercados, em moeda local, apresentaram retornos negativos no segundo trimestre (ver quadro 1).
Nenhum setor saiu ileso no segundo trimestre. É interessante notar que, embora Assistência Médica (-42,1%), Bens de Consumo Discricionário (-40,0%) e Tecnologia da Informação (-39,1%) tenham sido os de pior desempenho, eles não foram necessariamente os principais responsáveis pelas perdas trimestrais. O quadro 2 mostra que é mais provável que setores com grande representação na região, tais como Serviços Financeiros, Materiais e mesmo Bens de Consumo Discricionário, que caíram 25,3%, 21,0% e 13,8%, respectivamente, tenham gerado o impacto mais significativo na queda do mercado de valores.
Do mesmo modo, a maior parte das perdas foi impulsionada por empresas brasileiras e mexicanas, que em conjunto representam cerca de 88% do S&P Latin America BMI. O quadro 3 mostra como os dez componentes principais do índice representaram quase um terço do declínio do índice no segundo trimestre. As empresas brasileiras Vale S.A., B3 S.A. e Itaú Unibanco tiveram o impacto mais significativo no índice.
Embora talvez não seja surpreendente que os mercados tenham tomado um rumo negativo dada a turbulência política local, o aumento da inflação, a guerra entre a Rússia e a Ucrânia e os efeitos persistentes da COVID-19, ainda é decepcionante ver os mercados caírem tão fortemente. Embora não saibamos onde pode estar o fundo do poço, é provável que a volatilidade continue. Esperemos que o próximo passo seja uma recuperação.
Para mais detalhes sobre o desempenho dos benchmarks latino-americanos no primeiro segundo de 2022, confira: Índices de Renda Variável da América Latina: Análise Quantitativa Segundo Trimestre de 2022.