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Relatório especial de SPIVA: Encontrando as agulhas no palheiro

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Relatório especial de SPIVA: Encontrando as agulhas no palheiro

  • Duração 7:06

Relatório especial de SPIVA: Encontrando as agulhas no palheiro

TRANSCRIÇÃO

Paul Murdock:

Os fundos heróis podem salvar as carteiras? Por mais de 20 anos, os scorecards SPIVA da S&P Dow Jones Indices mostraram taxas de sucesso e de falha entre gestores ativos que buscam ganhar dos benchmarks da sua categoria, mas tem havido menos atenção aos desafios decorrentes para os gestores ou consultores que selecionam e alocam em vários fundos para construir carteiras.

Olá, sou Paul Murdock, e hoje está comigo Joe Nelesen da equipe Index Investment Strategy da S&P DJI para ver em detalhe nosso relatório SPIVA especial que analisa o desempenho de testes das carteiras de fundos ativos contra as misturas de índices.

Obrigado por estar aqui hoje, Joe.

Joe Nelesen:

Um prazer estar aqui, Paul.

Paul Murdock:

Joe, para começar, você poderia nos contar como mediu o desempenho da carteira ativa versus as misturas de índices do seu artigo “Encontrando as agulhas no palheiro”?

Joe Nelesen:

Definitivamente. E, como você disse na introdução, já faz mais de 20 anos que fazemos o scorecard SPIVA. Esses dados estão organizados categoria por categoria. Analisam gestores em relação a um benchmark. O que ainda não tínhamos feito era analisar uma carteira, que é o mundo real onde moram os investidores. O que fizemos para consegui-lo foi escolher nove de nossas categorias SPIVA, que estão representadas com maior frequência em muitas carteiras individuais, e alocá-las em uma combinação 60/40, de forma muito convencional, em proporções que refletem a emissão global dessas categorias. Temos renda fixa, renda variável dos EUA, internacional, emergente, etc. Logo depois, tomamos esse 60/40 e o ajustamos desde 10% de renda variável e 90% de renda fixa, até 90/10 no outro extremo.

Então, temos nove carteiras ativas nas quais poderíamos escolher aleatoriamente gestores ativos de cada um desses universos de fundos nos últimos 10 anos, aqueles elegíveis, e comparar cada uma dessas combinações com a mesma alocação de índices em termos de desempenho total e risco. Repetimos essa simulação mais de um milhão de vezes. Então, temos uma amostra bastante robusta de carteiras simuladas do desempenho real ao vivo de gestores ativos bem como as misturas de índices associadas.

Paul Murdock:

E qual foi a conclusão principal?

Joe Nelesen:

A conclusão principal é que construir uma carteira de categorias que individualmente apresentam taxas elevadas de desempenho inferior não leva necessariamente a um resultado melhor. De fato, a categoria 60/40 teve uma taxa de desempenho inferior de 97%. A maioria das combinações de fundos ativos reais perdeu para a combinação equivalente de índices durante 10 anos.

Paul Murdock:

E o que parece estar impulsionando este desempenho inferior no nível de carteira?

Joe Nelesen:

Eu acho que há duas coisas acontecendo. Uma é simplesmente a probabilidade de que quando há 9 categorias, na maioria das vezes, há um desempenho inferior. Isso realmente começa a se acumular. Mesmo se fossem 50% em cada uma das categorias. Pense nisso: se você jogasse uma moeda nove vezes ou, mais provável, nove moedas diferentes. Quais são as probabilidades de todas saírem cara ou todas coroa? É 1 em 512. Então, quando essas probabilidades são superiores a 50% de desempenho inferior, observamos uma taxa de sucesso muito baixa.

O segundo aspecto realmente importante de mencionar é a diferença nos resultados. Os melhores e piores desempenhos não necessariamente enquadram-se em uma distribuição normal. Quer dizer, o alfa de desempenho superior entre os fundos

que ganham do benchmark tende a ser um pouco menor do que o desempenho inferior do outro extremo da distribuição. Portanto, quando se tem fundos com essa assimetria, há menos chances de escolher um fundo com desempenho superior nas fases de alta, e que compense o desempenho inferior no outro extremo.

Paul Murdock:

O que acontece quando você analisa os fundos do quartil superior ou compara o desempenho de segmentos de capitalização específica ou de renda fixa versus suas respectivas combinações de índices?

Joe Nelesen:

Isto é fundamental. Creio que isso é um dos pontos do nosso artigo que começa a ser interessante para mim e outras pessoas: a reflexão sobre o mundo real. Os selecionadores de fundos não costumam escolher ao acaso entre o universo de gestores ativos. Eles seguem algum tipo de critério. Achamos que o quartil superior seria muito justo. Assim, se limitarmos nosso universo de seleção apenas aos gestores do quartil superior de cada uma das nove categorias nos cinco anos antes do nosso período de análise, escolhermos apenas entre esses fundos e criarmos carteiras, teríamos um resultado muito similar: taxas de desempenho inferior em torno de 90% ou mais para todas as alocações.

Mas o que também se destacou foi o fato de que, nas alocações com grande peso na renda fixa, mais ao redor das faixas 10/90 e 20/80, houve um aumento notável no risco, e podemos observar isso em alguns dos quadros do artigo, sem um aumento subsequente no desempenho. E isso indica que muitos gestores, especialmente em renda fixa, estão assumindo riscos semelhantes aos das ações sem obter as mesmas recompensas.

Paul Murdock:

Interessante. Então, houve combinações específicas com resultados diferentes?

Joe Nelesen:

Poderíamos analisar as combinações e, a partir disso, identificar quais categorias conseguiram fazer a maior diferença. E aqui é onde você chega nessa parte final sobre os heróis, que está no título em inglês. Existe um herói capaz de impulsionar todos os outros fundos, com seu magnífico desempenho superior, levando a uma carteira vencedora? O que descobrimos foi que, muitas vezes, as carteiras que tiveram a maior diferença quanto ao seu benchmark, — e não é uma grande diferença, mas a maior — foram as com maior peso em renda variável, em particular aquelas que conseguiram identificar gestores globais com desempenho superior.

Na seção de Heróis analisamos cada uma das nove categorias e nos perguntamos qual delas teria o maior impacto se tivéssemos uma bola de cristal. Você poderia prever exatamente quais fundos teriam desempenho superior no período de 10 anos, escolher apenas esses fundos em uma das nove categorias e que as outras oito incluíssem apenas o retorno do benchmark. Assim, em essência, estávamos criando carteiras hipotéticas que não poderiam perder e que certamente ganhariam do benchmark. Qual foi o impacto? Mesmo no melhor cenário possível com um fundo global escolhendo aquela mediana de desempenho superior, o ganho é de cerca de 50 pontos base por ano. Não é muito. Então, isso nos leva a uma questão mais ampla sobre quanto tempo e energia dedicados à seleção de fundos e gestores são compensados com retornos acima da média. Não é impossível, mas estatisticamente, achamos que é muito difícil, o que sugere como os leitores do artigo poderiam pensar em alocar seus recursos e tempo.

Paul Murdock:

Interessante. Muito obrigado por estar aqui hoje, Joe.

Joe Nelesen:

Obrigado, Paul.

Paul Murdock:

Para aprofundar no artigo “Encontrando as agulhas no palheiro: comparações de índices com o desempenho de carteiras ativas” ou para obter os últimos scorecards SPIVA visite o link abaixo. Muito obrigado e bom dia!

spglobal.com/spdji



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