Quais setores e fatores tiveram as melhores tendências de desempenho nas últimas mudanças no mercado? Ben Vörös se junta a Anu Ganti da S&P DJI para explorar o potencial dos índices para ajudar os participantes do mercado a abordar sua preocupação em torno à concentração e para analisar os destaques no desempenho do primeiro semestre de 2025.
[TRANSCRIÇÃO]
Ben Vörös:
Volatidade e recuperação foram temas importantes para as ações americanas na primeira metade do ano, levando alguns participantes do mercado a se interessar por estratégias defensivas.
Olá, sou Ben Vörös da S&P Dow Jones Indices e estou com minha colega, Anu Ganti, para discutir as novidades sobre concentração, viés local e o papel das ações dos EUA na Europa e outros mercados mundiais, e quais setores e fatores ganharam dos outros e o que isso poderia significar para os participantes interessados em defesa.
Obrigado por estar aqui, Anu.
Anu Ganti:
É um prazer.
Ben Vörös:
Comecemos com uma análise dos mercados de ações internacionais e dos EUA na primeira metade de 2025.
Anu Ganti:
Sim, houve contraste entre os dois mercados na primeira metade do ano. O S&P 500 recuperou-se em mais de 20% desde seu ponto mais baixo em abril, e todos lembramos da comoção relacionada às tarifas. Vimos altas recordes contínuas do S&P 500, incluindo a do último dia do segundo trimestre. Então é uma recuperação notável. A volatilidade também se manteve relativamente baixa, o VIX encerrou o trimestre baixo os 17 pontos.
O que foi particularmente interessante foram as diferenças no desempenho por tamanho, nos EUA e na Europa. Por exemplo, nos EUA, vimos que as mid e small caps perderam para as large caps, mas mesmo assim, o S&P MidCap 400® e o S&P SmallCap 600® subiram 7% e 5%. Então vimos essa expansão da recuperação. Enquanto, na Europa, vimos que as mid e small caps ganharam em comparação com o S&P Europe 350. Essa foi uma diferença interessante que vimos entre os tamanhos, tanto nos EUA quanto na Europa.
A respeito do sentimento, todos lembramos do sentimento defensivo do primeiro trimestre, mais isso mudou no segundo trimestre e vimos que Tecnologia da Informação e Serviços de Comunicações foram os setores líderes.
E passando a fatores, dos que falaremos em breve, vimos que o beta alto e o momento foram os líderes. Em verdade, o beta alto superou o momento que ganhou do S&P 500 no trimestre dois. Esses foram alguns dos temas-chave que vimos na primeira metade do ano.
E no contexto internacional, vimos que o S&P Europe 350 ganhou e teve um alta de 24% em matéria de dólares. E tal vez a fraqueza do dólar tenha sido um ponto favorável nesse caso. E olhando para diante, já no segundo semestre, a incerteza permanece, incluindo a relacionada às tarifas, os riscos geopolíticos, o rumo futuro dos bancos centrais, incluindo o Fed dos EUA e os bancos centrais ao redor do mundo, e a inflação. Esses são alguns dos macroindicadores que acompanhamos entrando no segundo semestre.
Ben Vörös:
Muito interessante. E retomando o que você disse sobre os mercados acionários dos EUA, por que eles são importantes para os participantes europeus e internacionais?
Anu Ganti:
Excelente pergunta. Há alguns aspectos relevantes nisso. Um é que quando analisamos a exposição econômica de uma empresa, podemos pensar além do país de domicílio. Um exemplo é o S&P 500. Todas suas empresas são dos EUA, mas apenas 70% das receitas vêm dos EUA. Então é importante considerar a composição geográfica das receitas. Então 70% disso vem dos EUA. O restante vem de outras partes do mundo, incluindo quase 10% da Europa. Então isso poderia ser relevante para os participantes europeus considerarem ao analisar a variedade de oportunidades.
Além disso, algo interessante que vimos, foi que o S&P 500 Foreign Revenue Exposure Index ganhou do S&P 500 U.S. Revenue Exposure Index. Parte desse impulso pode ter sido a fraqueza do dólar da que já falamos, a qual possivelmente beneficiou empresas multinacionais, que obtêm uma maior parte de suas receitas do exterior. Isso sobre as receitas.
E o outro aspecto é, claro, o viés local, e é importante que os investidores e participantes do mercado europeus tenham isso em mente. E podemos usar uma perspectiva nacional e setorial para isso. Por exemplo, se olharmos para o S&P World Index, os EUA constituem mais de 70% do peso por país. Se olharmos para os setores, o S&P 500 Information Technology é maior do que o da China, o que é bastante notável, se pensarmos nisso.
Então, olhando para o S&P Europe 350, ele tem maiores sobreponderações em, por exemplo, Serviços Financeiros, Industrial, e Saúde. E, historicamente, nossa pesquisa mostrou que adicionar exposição aos EUA pode ter ajudado a mitigar esse risco e oferecer diversificação.
Ben Vörös:
Mudando um pouco de assunto, as mega caps e a concentração têm sido as principais preocupações dos participantes. Como os índices podem ajudar a aliviar e lidar com essas preocupações?
Anu Ganti:
Excelente pergunta, e você está certo, as mega caps foram importantes em 2023, 2024 e na primeira metade desse ano, o S&P 500 Top 50 subiu 14% e ganhou do S&P 500. Então vimos preocupação pela concentração no mercado, que tem sido relativamente alta em comparação com o histórico. Também observamos extremos no momento.
Então temos visto uma extensão especialmente longa dessas tendências. E historicamente, temos visto essa reversão à média, que, claro, é difícil de prever. Então esse pode ser um momento interessante para examinar estratégias de pesos iguais, que, por exemplo, têm essa exposição a tamanho pequeno, também têm esse viés antimomento. E historicamente temos visto que, após picos na concentração do mercado, os pesos iguais tendem a ganhar. Então isso pode ser algo interessante para analisar, dadas as circunstâncias atuais no mercado. E, claro, sabemos que os pesos iguais ganharam no longo prazo, quando analisamos o histórico.
Agora, de uma perspectiva setorial, temos visto uma tendência semelhante. E podemos ver os setores como ferramentas. Temos setores ponderados por capitalização. Temos setores com pesos iguais. E, historicamente, temos visto que, após picos da concentração setorial, os setores de pesos iguais tenderam a ganhar do mercado. Tecnologia da Informação é um bom exemplo disso.
E voltando para meu ponto anterior sobre a composição geográfica das receitas, isso varia entre setores. Por exemplo, Tecnologia da Informação teve o menor percentual local de vendas, enquanto Utilidade Pública teve o maior. Então também é importante considerar essas questões para o nível setorial.
Ben Vörös:
Você mencionou que o beta elevado de fato superou o momento, pelo menos nos EUA, e foi o fator com o melhor desempenho. Mas como mudou a relação entre o beta alto, por um lado, e os setores e fatores defensivos, por outro lado, ao longo do ano? E o que essa relação significa para os participantes do mercado?
Anu Ganti:
Sim, e voltando ao ponto anterior sobre o contraste dos dois mercados, certamente vimos isso no nível fatorial. No trimestre um, vimos que a baixa volatilidade ganhou, ganharam as estratégias de dividendos, e outros fatores defensivos se saíram bem. Porém, vimos o oposto no trimestre dois, o sentimento de apetite pelo risco voltou, e o momento ganhou do mercado, o beta alto ganhou e superou o momento. Então houve uma reviravolta ali. E também podemos pensar nos setores como impulsores do desempenho fatorial. Por exemplo, a maior sobreponderação do beta alto é Tecnologia da Informação, e esse foi o setor líder.
Voltando para seu ponto sobre fatores, tem sido interessante observar o momento globalmente. Vimos que o momento teve o melhor desempenho nos EUA, e ganhou na Europa, mas, não é bem assim nos mercados em desenvolvimento e emergentes, incluindo a China. Então a tendência divergente do momento nos EUA e nos mercados desenvolvidos versus os emergentes e a China vai ser algo para acompanhar de perto à medida que encerramos o restante do ano.
Ben Vörös:
Obrigado pelas suas análises, Anu. Foi muito interessante saber sobre as dinâmicas de setores e fatores na primeira metade de 2025.
Para saber mais dos índices da S&P DJI e dos temas discutidos hoje, por favor visite o link a seguir.