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  • Duração 7:59

Conheça por que um benchmark diversificado e ponderado por capitalização poderia já incluir os próximos gigantes do mercado, com Tim Edwards e Ben Vörös da S&P DJI.

[TRANSCRIÇÃO]

Ben Vörös:

Olá, sou Ben Vörös, e nesta edição especial de The Market Measure, temos Tim Edwards, Diretor Global de Estratégia de Investimento com Índices da S&P Dow Jones Indices, para falar sobre sua nova pesquisa: Na sombra dos gigantes. Bem-vindo, Tim.

Tim Edwards:

Obrigado, Ben.

Ben Vörös:

Há muita discussão sobre os mercados e também nos mercados sobre a concentração dos índices, e como observamos durante os últimos anos, o S&P 500 tem se concentrado cada vez mais, e atualmente, as 10 primeiras empresas são quase 40% do índice. Você acha que esse é um risco sistémico e que os investidores deveriam se preocupar com as implicações?

Tim Edwards:

Uma das tendências mais importantes do mercado acionário americano e dos benchmarks que o acompanham durante a última década foram os resultados sólidos que obtiveram as maiores ações e, em particular, algumas ações de tecnologia ou relacionadas. Esse não é um fenômeno novo. Na verdade, o acrônimo FANGs foi cunhado há mais de uma década e já existiram diversos grupos. As 7 Magníficas é um dos grupos mais conhecidos dos últimos tempos. Os componentes mudaram um pouco, mas não muito, e o que aconteceu é que, nos últimos 10 anos, mais ou menos, as maiores ações subiram más rápido seu preço, subiu a capitalização e passaram, essas "10 primeiras", como medimos na pesquisa, a representar quase 40% do S&P 500. Bem, não sabemos o que vai acontecer no futuro, mas com o benefício do histórico de quase 70 anos do S&P 500, podemos olhar para trás e perguntar o que aconteceu na última vez? Essa não é a primeira vez que apenas 10 ações representaram quase 40% do índice. No entanto, a última vez que aconteceu foi há muito, em 1965. Então, analisamos a relação ao longo do tempo entre a concentração e o desempenho.

Vamos começar com o que aconteceu na última vez. De certa forma, a situação pode ser bem preocupante, mas há uma ressalva importante. Essas 10 primeiras, há uns 60 anos, eram muito diferentes. Eram nomes como AT&T, Sears, Kodak, General Motors e algumas outras, mas destaco essas em particular porque elas são empresas muito famosas que outrora foram consideradas ícones corporativos dos EUA. E três delas faliram e a outra passou por um período difícil. Essas empresas e suas sucessoras e suas outras derivadas passaram de ser 40% do peso em 1965, mais ou menos, para quase um décimo disso em meados de 2025. Então é verdade que as empresas grandes podem se tornar menores.

O que é fascinante é que se analisarmos a interação entre seu desempenho e o mercado em geral, porque, embora essas 10 empresas tenham representado 40% do índice, essas 10 empresas se saíram pessimamente nos seguintes 50 anos, todas perderam para o mercado. No entanto, tivemos um fantástico, eu falo fantástico, desempenho sólido de 10% por ano do S&P 500 em geral. Então, a primeira mensagem é que uma concentração alta não prevê necessariamente um desempenho ruim no futuro.

Ben Vörös:

A concentração do mercado não tem sido estática ao longo do tempo. Teve altos e baixos durante as quase sete décadas de histórico do S&P 500. Qual é a relação histórica entre a concentração e o desempenho do índice?

Tim Edwards:

Bem, acontece uma coisa meio óbvia e outra coisa mais sutil. A coisa óbvia que acontece é que, pelo menos inicialmente, naquele período após 1965 e em outras ocasiões de curto prazo mais atuais, se as maiores ações se saírem mal, geralmente o restante do mercado também se sai mal. No entanto, e é aqui que a coisa fica interessante, é que esse nem sempre é o caso. A concentração e o desempenho não são independentes estatisticamente, mas são quase independentes, e se analisarmos década por década, às vezes a concentração sobe ou o mercado sobe e, na verdade, eles não seguem um padrão estrito. E por que e como isso acontece é o realmente interessante, porque há duas maneiras em que a concentração pode mudar. E, de fato, poderíamos pensar que os grandes poderiam estar se saindo muito mal, ou poderia ser que essas outras 490 empresas estejam começando a liderar.

E o importante sobre isso é que, às vezes, precisamos nos lembrar que a desvantagem do preço de uma ação é que pode se perder até 100%. O potencial é quase ilimitado. E quando temos essas empresas que passam de relativamente pequenas, ou seja, sendo componentes do S&P 500, de pequenas para muito grandes, nesse período, elas normalmente podem aumentar muito os retornos gerais do índice. Só para dar um exemplo, dos 10 primeiros componentes atuais o componente médio ingressou há 24 anos com um peso de quase 0,5%. Agora eles têm um peso de quase 5%. Isso indica que os retornos deles foram quase 10 vezes os retornos do índice. O número real é de quase 7 vezes, não exatamente 0,5 vezes, mas a questão permanece, às vezes a concentração aumenta ou diminui, mas o que realmente está acontecendo é que os líderes estão mudando, e não apenas que essas mesmas empresas estão diminuindo ou aumentando seus pesos.

Ben Vörös:

Com a concentração do mercado tão alta, você acha que é momento de deixar os índices ponderados por capitalização e buscar outras soluções?

Tim Edwards:

Essa é uma boa pergunta. Obviamente, os índices por capitalización continuarão sendo benchmarks porque representam todo o mercado, más em um ambiente em que poucas ações passam a representar uma parcela maior, os investidores e os participantes do mercado poderiam se perguntar será sensato alocar tanto em umas poucas empresas seletas?

Essa é a magia da ponderação por capitalização, ou o que poderia explicar essa preocupação. O primeiro é que se, e apenas se, o grupo atual das maiores empresas fraquejar ou não se sair tão bem quanto antes, seus pesos no benchmark diminuirão proporcionalmente. Mais importante ainda, em um benchmark amplo e diversificado já poderíamos ter nesse benchmark a próxima geração, sejam quem forem. E se essas empresas crescessem e tivessem ótimos resultados, um benchmark ponderado por capitalização manterá uma participação que se adapta a seu desempenho ao longo do tempo. E acho que essa sutileza é, talvez, subvalorizada.

Os investidores dispõem de inúmeras opções para aumentar a diversificação, como os índices de ponderação equitativa e outros, mas em matéria do mercado em geral e de um benchmark do mercado, é importante lembrar que, se voltarmos 100 anos no tempo e olharmos as ações que estavam listadas nos EUA há 100 anos, muito poucas delas estão vivas hoje, porém, os índices ponderados por capitalização tiveram um século de resultados fortes. Por que? Porque parte da sua saúde é permitir que algumas empresas falhem para que outras subam. E isso foi o que, mais ou menos, motivou a pesquisa, além da ideia de que a próxima geração pode já estar aí, foi por isso que a chamamos Na sombra dos gigantes.

Ben Vörös:

Obrigado, Tim. E se você quiser ler o artigo completo, pesquise: Na sombra dos gigantes nosso site.

Sou Ben Vörös, e isto foi The Market Measure.



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